Rentabilidade responde à pergunta errada
Existe uma pergunta que aparece em praticamente toda conversa sobre investimentos.
Quanto rendeu?
A pergunta parece objetiva. Mas, isoladamente, ela diz muito pouco.
Um investimento rendeu 12%. Outro rendeu 8%. Qual foi melhor?
A resposta depende.
Depende do objetivo. Do prazo. Do risco assumido. Da necessidade de liquidez.
E, principalmente, da pergunta que aquele dinheiro deveria responder.
Conteúdo da Página
Rentabilidade não existe no vácuo#
Um investimento não é bom apenas porque rendeu mais. Assim como não é ruim apenas porque rendeu menos.
Imagine duas pessoas.
A primeira precisava utilizar determinado recurso dentro de seis meses. A segunda tinha um horizonte de vinte anos.
As duas poderiam possuir investimentos completamente diferentes. E isso não significaria que uma tomou uma decisão melhor do que a outra.
O que faz sentido para um objetivo pode ser inadequado para outro.
Por isso, comparar rentabilidades sem conhecer o contexto é comparar números. Não decisões.
O melhor investimento depende da pergunta anterior#
Antes de perguntar onde investir, existe uma pergunta mais importante.
Para que esse dinheiro existe?
Se ele será utilizado em poucos meses, uma característica pode ser essencial. Se será destinado à aposentadoria daqui a vinte anos, outra pode ser mais importante.
Se pertence à reserva de uma empresa, o contexto é diferente. Se está destinado à sucessão familiar, o objetivo também muda.
O mesmo produto financeiro pode cumprir funções completamente diferentes. E um produto excelente para uma finalidade pode ser inadequado para outra.
É por isso que o investimento não deveria ser o ponto de partida. Ele deveria responder a uma necessidade que já foi identificada.
Rentabilidade é uma consequência, não uma estratégia#
Existe uma tendência natural de transformar rentabilidade em objetivo.
A pessoa quer ganhar mais. Depois procura o investimento que promete entregar mais.
O problema é que "ganhar mais" não explica nada.
Mais para quê? Em quanto tempo? Com qual risco? Com qual necessidade de liquidez?
Uma rentabilidade maior pode ajudar a alcançar um objetivo. Mas ela também pode exigir um nível de risco incompatível com o que aquele dinheiro precisa fazer.
A pergunta correta não é apenas quanto um investimento pode render. É o que ele precisa realizar.
Investimentos diferentes podem estar cumprindo a mesma função#
Outro problema comum aparece quando uma carteira cresce sem uma lógica definida.
A pessoa possui renda fixa. Ações. Fundos.
Previdência. Imóveis. Ativos no exterior.
À primeira vista, parece diversificação. Mas quantidade não garante estratégia.
É possível possuir dez investimentos diferentes que dependem, na prática, dos mesmos fatores.
Também é possível ter produtos diferentes cumprindo exatamente a mesma função.
O que importa não é apenas quantos investimentos existem. É o papel que cada um desempenha.
Uma carteira deveria ser lida como um conjunto de funções#
Um investimento pode existir para preservar liquidez. Outro para proteger o patrimônio.
Outro para buscar crescimento no longo prazo. Outro para gerar renda. Outro para atender a um objetivo específico.
Quando essas funções estão claras, a carteira pode ser analisada de forma mais inteligente.
A pergunta deixa de ser: "Esse investimento é bom?"
E passa a ser: "Esse investimento é adequado para a função que precisa cumprir?"
Essa é uma pergunta muito mais difícil. E muito mais útil.
O investimento é o último passo porque precisa de contexto#
Antes dele, existe o fluxo de caixa. É preciso entender quanto dinheiro entra, quanto sai e quanto pode ser direcionado para o futuro.
Depois vem o patrimônio. É preciso entender o que já existe e como os ativos estão distribuídos.
Depois vêm as metas e os sonhos. É preciso saber o que o patrimônio precisa tornar possível.
Depois vem o planejamento. É preciso transformar essas informações em decisões.
Só então o investimento entra.
Não porque seja menos importante. Mas porque ele precisa de todas as respostas anteriores para cumprir bem sua função.
Investir bem não é escolher o produto mais sofisticado#
Um investimento sofisticado não é necessariamente um investimento adequado.
A complexidade de um produto não aumenta automaticamente a qualidade de uma estratégia.
Às vezes, a melhor decisão é manter determinado recurso simples, líquido e compreensível.
Em outros casos, a necessidade pode exigir estruturas mais complexas.
A resposta depende do que aquele patrimônio precisa fazer. Não do que está sendo oferecido naquele momento.
A pergunta mais importante não é quanto rendeu#
Esse investimento fez o que precisava fazer?
Se a resposta for sim, ele cumpriu sua função. Mesmo que outro investimento tenha apresentado uma rentabilidade maior.
Se a resposta for não, uma rentabilidade elevada pode ter sido apenas um número positivo dentro de uma estratégia inadequada.
Porque o objetivo de um investimento não é vencer uma tabela de rentabilidade. É ajudar o patrimônio a cumprir o papel que foi definido para ele.
Investimentos são ferramentas. E ferramentas só podem ser avaliadas em relação ao trabalho que precisam realizar.
Antes de escolher o próximo investimento, talvez valha fazer uma pergunta diferente:
Qual função esse dinheiro precisa cumprir dentro da minha vida?
Porque o melhor investimento não é aquele que parece mais atraente isoladamente. É aquele que faz sentido para o plano que veio antes dele.
Perguntas frequentes#
'Quanto rendeu?' não é a pergunta certa sobre um investimento?
RespostaIsoladamente, diz pouco. O mesmo rendimento pode ser ótimo ou inadequado dependendo do objetivo, do prazo, do risco e da liquidez. A pergunta mais útil é: esse investimento fez o que precisava fazer?
Rentabilidade maior não é sempre melhor?
RespostaNão necessariamente. Uma rentabilidade maior costuma exigir mais risco — que pode ser incompatível com o que aquele dinheiro precisa fazer. Rentabilidade é consequência de uma estratégia, não a estratégia em si.
Ter muitos investimentos diferentes é diversificar?
RespostaNem sempre. É possível ter dez produtos que dependem dos mesmos fatores, ou vários cumprindo a mesma função. O que importa não é a quantidade, mas o papel que cada um desempenha na carteira.
Por que o investimento é o último passo?
RespostaPorque ele precisa de contexto: fluxo de caixa, patrimônio, metas e planejamento vêm antes. Não por ser menos importante, mas porque só com essas respostas cada investimento consegue cumprir bem a função definida para ele.
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